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terça-feira, 24 de maio de 2011

Mais de Madia

Carlos Madia e Miriam Cris Carlos (Foto: Jota Abreu)

Release oficial do CD do cantor e compositor Carlos Madia em parceria com a poetista Miriam Cris Carlos

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*por Jota Abreu

Alguns recentes filmes de suspense apostam numa tática de começar a narrativa com a última cena. A estratégia torna a produção mais intrigante, pois mesmo vendo a cena final, o espectador não consegue entender completamente a sensação sem conhecer o restante da história. O novo CD de Carlos Madia vai nesse caminho. Mas me permito revelar que o pensamento de quem chega ao fim dos pouco mais de cinco minutos da vibrante “É só caroço”, última faixa do disco, é justamente a primeira informação que o ouvinte terá sobre a obra, seu nome: “Mais tudo isso”. Basta acabar a última música para ouvir sua mente reclamar ao coração (ou vice-versa) – quero mais tudo isso!

O trabalho é o que melhor pode traduzir o conceito de “álbum”. As músicas têm a graça de serem todas poesias de Miriam Cris Carlos - que também é professora de Comunicação e Semiótica – musicadas por Madia. O encarte traz uma ilustração para cada música: Adriano Gianolla, Pedro Lopes, Lúcia Castanho, Walter Martins, Newton Abussamra, José Lima, Luciana Valsechi, Laura Carone Cardieri, Ona Mestre, Sandra Mara, Julie Lockley, Peterson Ruiz e Luiza Pannunzio, responsável também pela arte da capa.

A produção musical ficou por conta do talentoso Cleber Almeida, com participação de vários instrumentistas. E o disco já começa arrebatador. “Água”, música premiada no Festival de MPB de Sorocaba, é um funk que não deixa ninguém parado. Na balada/rock “Mansão Rosa” e no impressionante blues/jazz “Insônia”, Madia mostra força na voz. Esta última tem a simpatia de trompete e bateria feitos “de boca” por Cleber Almeida. O resultado é incrível.

A brasilidade de sambas, que sempre Madia cantou com destreza, predomina em “Inexplicações”, “Bailarina nos teus passos”, na já citada “É caroço” e também em “Transparência”, outra canção premiada no Festival de MPB de Sorocaba. Destaque ainda para o ritmo contagiante e excelente arranjo da brasileiríssima “Negros Nós”.

Na categoria de “músicas para degustar”, Madia oferece para o deleite as melodias encantadoras de “Espelho”, da belíssima “Gana” e da aconchegante “A gente teima” onde brilha a afinação irrepreensível do cantor. O romantismo toma conta de “Na tarde solar”, “Sol silêncio” e da sensualíssima “Mais tudo isso” – vale correr o “risco” de ouví-la a dois.

Aquela que mais reflete o cotidiano sorocabano é “Mercado”. Composta para um documentário homônimo de Werinton Kermes sobre o mercado municipal de Sorocaba, a música e letra transportam com maestria o ouvinte para dentro de um dos símbolos mais clássicos da cidade. Arranjos formidáveis, musicalidade perfeita e poesia de primeira classe.

Quem já o conhece, sabe que Carlos Madia tem pelo menos três características pessoais e artísticas proeminentes: retidão, elegância e simplicidade. Seu disco – filho de peixe... – é igualzinho. “Mais tudo isso” é correto, impecável e preciso; tem um charme irresistível; mas não deixa de ter apelo popular que cativa a qualquer um. É disso que a gente gosta, Madia. E disso tudo a gente quer mais. Mais tudo isso!

*Jota Abreu é jornalista e trabalha no Diário de Sorocaba

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Como isso foi acontecer?


Vereador Ruby (PMN) Sorocaba
Foto: Jota Abreu


Sabe aquela situação em que você se pergunta “Como isso foi acontecer?”. É o que acontece comigo quando penso na eleição do vereador Ruby (PMN) em Sorocaba.

Seu nome verdadeiro é Emílio Souza de Oliveira. Líder comunitário na zona norte há mais de vinte anos, ainda cantou em uma dupla sertaneja (Diamante & Ruby). Nas últimas eleições, 3.377 pessoas o elegeram para a Câmara. Como isso foi acontecer?

A primeira pataquada, logo no começo do mandato, foi uma acusação de ter tomado à força, eletrodomésticos de uma família, como forma de pagamento pelos danos que o filho (com problemas mentais) teria causado durante uma festa. Ruby ainda foi acusado de oferecer bebida alcoólica para o rapaz que toma remédios de uso controlado. Já dá pra se perguntar “como isso foi acontecer?”.

Quando morreu o deputado Clodovil Hernandes, Ruby foi motivo de piada nacional por assinar o livro de condolências como “Veador de Sorocaba”, esquecendo uma sílaba da palavra vereador. O irreverente colunista José Simão da Folha de S. Paulo não perdoou.

“Vossa excelência” ainda é suspeito de usar a estrutura da Câmara para promover um rodeio (agora proibido por lei na cidade) em seu reduto eleitoral. Ele teria feito reuniões e telefonemas no gabinete para definir detalhes do evento, além de não pagar a empresa de propaganda contratada para a divulgação. Pouco tempo depois, um ex-assessor foi preso por tráfico de drogas.

Mas a “melhor” de todas foi a detenção do político por dirigir embriagado, transitar acima da velocidade máxima permitida, ultrapassar sinal vermelho e praticar racha. Boatos dão conta de que, ao ser abordado pelos policiais, Ruby foi arrogante. “Sou um vereador e não posso ser preso”, teria dito. A imprensa nacional noticiou que ele foi parar na delegacia e teve a CNH suspensa.

Recentemente, conseguiu seu documento de volta. Chamou a imprensa ao retirá-lo no Ciretran e mais uma vez foi pedante ao sair orgulhoso mostrando sua “vitória”. Não bastasse ter ido resolver problema pessoal com o carro da Câmara e sair dirigindo sem o uso do cinto de segurança, no dia seguinte, para sua decepção, Ruby mais uma vez perdeu o direito de dirigir.

Tudo bem que ele vem de origem humilde, trabalhou muito e ajudou algumas pessoas. Mas, além de seu trabalho na Câmara ser discreto até demais, o vereador não pode se permitir equívocos como esses. E seu o eleitor também deve se sentir equivocado. Pois eu não paro de me perguntar: meu Deus, como isso foi acontecer?